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Gravataí, RS, Brazil
Ìyálórìsà responsável pelo Ilê Ìyába Àse Òsun Doko, de Nação Ijexá, localizado na cidade de Gravataí-RS; filha de Pai Pedro de Oxum Docô. Contatos fone:(51) 9114-2964 ou e-mail fernanda__paixao@hotmail.com

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Èsù na consulta divinatória

(Extraído do livro "Jogo de Búzios: Um Encontro com o Desconhecido" de José Beniste, com adaptações)



 Apesar de profunda sabedoria, conhecimento e autoridade de Òrúnmìlà, às vezes ele fica na dependência do poder de Èsù, por este ser o GUARDIÃO DO À, representação da autoridade e do poder divino com o qual Olódùmarè criou o universo e manteve suas leis físicas. Èsù é, certamente, a divindade mais chegada a Òrúnmìlà, mas o seu relacionamento nem sempre é cordial, isso porque Èsù como fiscalizador        universal, é imprevisível e não pode, por consequência, ser aliado permanente de alguém.



 Èsù é o poder responsável que leva todos os sacrifícios e oferendas para as divindades, embora alguns mitos revelem que é a sua mulher - AGBÈRÙ - quem os recebe para entregar depois a ele. Èsù só não transporta oferendas para Deus - Olódùmaré - pois os yorubás acreditam que Ele não pode ser influenciado por oferendas, daí o dito "Tani le f'Olódùmarè lébo?" (Quem ousa oferecer sacrifícios a Olódùmarè?).


      O que é prometido deve ser cumprido. Èsù premia ou pune aquele que realiza o sacrifício e o que deixa de fazê-lo. Sobre isso diz-se: "Eni ó rúbo l'Èsù gbè" (Èsù apóia somente aqueles que oferecem o sacrifício).


      Alguns títulos e designativos revelam a sua função no transcorrer dos ritos:

  • ÈSÙ ELÉBO: o dono e regulador das oferendas (ebo)
  • ÒJÍSE EBO: mensageiro das oferendas
  • ELÉRÙ: senhor dos carregos (erù)
  • ÒSÉTÙWÁ: odù dos carregos
  • ÈSÙ OLÓBE: o dono da faca que esconde sob seus cabelos
  • ÈSÙ OLÓNA: o senhor de todos os caminhos
  • ENÚGBARIJO: boca coletiva (princípio da comunicação)
 Òrúnmìlà utiliza-se do ÀSE de Èsù, do seu poder e de suas funções acima relacionadas, para atuar e se expressar.

Em um dos Oriki de Èsù, destacamos alguns trechos para verificar como se processa a sua atuação:

1- Èsù òta òrìsà
sù inimigo dos òrìsà)
2- Òtùwá ni oruko Bàbá mò ó
tùwá é o nome que o Pai o chama)
3- O lé sonsó sí esè elésè
(Ele que senta no pé das pessoas)
4- A kìì lówó láì mú ti Èsù kúrò
(Aquele que tem dinheiro dá uma parte para Èsù)
5- A kìì láyò láì mú ti Èsù kúò
(Aquele que tem felicidade dá uma parte para Èsù)
6- Èsù àpáta sómo olómo lénu
(Èsù faz a pessoa falar o que não deseja)
7- O fi okúta dípò iyò
(Ele usa uma pedra em vez de sal)
8- Olópa Olódùmarè lailai
(O fiscal de Olódùmarè desde os tempos imemoriais)
9- Epo l'érò Èsù
(Epo - azeite-de-dendê- acalma Èsù)
'0- Oníbòdè Olórun
(O porteiro de Olórun)
11- Tani o gbà ebo?
(Quem recebe o nosso ebo?)
12- Èsù ni yio gbà ebo wa
(É Èsù que receberá nosso ebo)
13- Èsù gbe eni se ebo l'ore o
(Èsù apóia a pessoa que faz o ebo bem feito)
14- Èsù bò wá ba wa ré ìkóríta
(Èsù venha, acompanhe-nos até a encruzilhada)
15- Oba ló ni òpó
(O rei faz uso do trono)
16- Èsù ló ni ìkóríta méta
(Èsù faz uso da encruzilhada)
17- Jé a mú àse bò ìkóríta o
(Permita que voltemos da encruzilhada com àse)




      

Exu para Jorge Amado

Não sou preto, branco ou vermelho
tenho as cores e formas que quiser.
Não sou diabo nem santo, sou Exu!
Mando e desmando,
traço e risco
faço e desfaço.
Estou e não vou
tiro e não dou.
Sou Exu.
Passo e cruzo
traço, misturo e arrasto o pé
sou reboliço e alegria
rodo, tiro e boto,
jogo e faço fé.
Sou nuvem, vento e poeira
quando quero, homem e mulher
sou das praias, e da maré.
Ocupo todos os cantos.
Sou menino, avô, maluco até
posso ser João, Maria ou José
sou o ponto do cruzamento.
Durmo acordado e ronco falando
corro, grito e pulo
faço filho assobiando
sou argamassa
de sonho carne e areia.
Sou a gente sem bandeira,
o espeto, meu bastão.
O assento? O vento!..
Sou do mundo,nem do campo
nem da cidade,
não tenho idade.
Recebo e respondo pelas pontas,
pelos chifres da nação
sou Exu.
Sou agito, vida, ação
sou os cornos da lua nova
a barriga da rua cheia!…
Quer mais? Não dou,
não tou mais aqui.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Èsù na minisérie Mãe de Santo, exibida em 1990 pela rede Manchete

Em princípio apresenta os Orixás e inicia com Cântico a Olódùmarè.
Mostra a história de fundação do Ilê Axé Iya Nassô Oká / Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho,
 o terreiro mais antigo do Brasil, por três princesas trazidas da África na condição de escravas. 
A trama gira em torno dos fatos que antecederam o seu tombamento como Patrimônio Histórico do Brasil, o que aconteceu em 1984.
No terceiro capítulo são apresentadas características de Èsù, que é invocado para levar os apelos aos demais Orixás a fim de evitar a destruição do templo.
O quarto e último capítulo retrata o ritual de Ìpàdé, conhecido popularmente como Padê de Exu, 
cerimônia que antecede a todos os rituais de Candomblé.

Vale a pena conferir!









Orins de Èsù no Candomblé Ketu, muito semelhante às rezas
de Bará do nosso batuque do RS.








Orins de Bará Nação Cabinda- RS
Alabê Belerum de Oxalá



terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Por que Èsù (Bará) vive do lado de fora

(Texto e notas extraídos do livro "Mitos Yorubás: O outro lado do conhecimento" de José Beniste, com adaptações)


      A organização do mundo estava sendo feita, pouco a pouco, na medida em que os problemas vinham surgindo. Sempre que Òrúnmìlà comparecia à Terra para ver o andamento das coisas, ele era assediado pelos Òrìsà, pelos seres humanos e até pelos animais, com indagações diversas. Ainda não havia sido determinado qual o lugar em que cada criatura deveria viver e o que cada uma deveria fazer dentro do sistema. Era Èsù quem ponderava sobre os problemas e questões apresentadas. E, assim, sugeriu a Òrúnmìlà que, para cada um, apresentasse uma proposta simples e que cada um, ao responder, determinasse o seu destino e o seu modo de viver.


      Òrúnmìlà aceitou a sugestão de Èsù e saiu à procura das pessoas e dos animais. O primeiro que encontrou foi a galinha d'angola, e lhe perguntou: "Você concordaria em usar uma corda em volta do pescoço?" A galinha d'angola respondeu: "Não, eu não concordo." "Muito bem, você não usará uma corda no pescoço", disse Òrúnmìlà. Muitas outras criaturas foram questionadas com a mesma pergunta, e a resposta foi sempre a mesma. Com isso, perderam a oportunidade de se tornarem unidas. 


Mas quando Òrúnmìlà fez a pergunta à cabra, ela respondeu desrespeitosamente: "Você pensa que pode me obrigar a fazer isto?" Imediatamente a cabra passou a ter uma corda envolta em seu pescoço, assim como seus parentes, a ovelha e o carneiro, passaram a sofrer a mesma humilhação.


      Quando se perguntou ao cavalo se ele concordaria em carregar uma carga, ele também replicou de forma grosseira: "Quem pode forçar-me a fazer isto?" Imediatamente surgiram um homem sobre as costas do cavalo e freios em seus dentes. De acordo com as respostas que as criaturas davam, elas recebiam uma maneira de viver.


      Enquanto tudo estava acontecendo, Èsù ia à frente, mais preocupado em tentar confundir Òrúnmìlà, provocando dúvidas e confusão entre as criaturas. Isso estava sendo observado por Òrúnmìlà, que aguardava uma ocasião para dar uma lição a ele.


      E foi assim que Òrúnmìlà encontrou o homem e foi-lhe dizendo: "Homem, você escolhe a vida do lado de dentro ou do lado de fora da casa?" O homem respondeu que preferia do lado de dentro, e por isso foi decretado que o homem viveria em casa. Inesperadamente, porém, Òrúnmìlà perguntou a Èsù: "E você, Èsù, do lado de dentro ou do lado de fora?" Èsù que estava mais preocupado em criar problemas para os outros, ficou assustado com a pergunta inesperada e replicou imediatamente: "Do lado de fora"; quando percebeu o erro, tentou corrigir: "Não, é o contrário, do lado de dentro."


      Percebendo o embaraço de Èsù pela forma como havia sido feita a pergunta, Òrúnmìlà disse: "Foi você mesmo que propôs uma resposta direta, conforme combinou comigo; portanto, devo aceitar as primeiras palavras que saíram de sua boca. Daqui em diante, você viverá sempre do lado de fora."


NOTAS:

  • Èsù é relacionado à categoria Òrìsà Òde, ou seja, das divindades que são assentadas do lado de fora.
  • Nas regiões yorubás, Èsù é assentado na entrada das cidades. As pessoas que chegam pedem licença e deixam uma importância em dinheiro. Há também o costume de se assentar Èsù na entrada das residências. 
  • Èsù é uma divindade única que possui vários cognomes de acordo com os atributos referentes às suas atividades como Ójíse (o mensageiro), Elébo (transportador de ebo), Olóna(n) (o dono dos caminhos), Akésan (o que supervisiona as atividades dos mercados do rei), Òdàrà (identificado com as coisas do bem), Elégbára (o conhecedor do poder), Yangí, um nome que o define como o maior de todos de acordo com a expressão "Oba Bàbá Èsù" (rei e pai de todos os Èsù).
  • sù Òtá Òrìsà"  (Èsù, o inimigo dos Òrìsà): essa expressão faz alusão ao seu papel de fiscalizador de todas as obras feitas, inclusive as dos Òrìsà, de forma incorruptível. "Olópa Olódùmarè láilái" (o fiscal de Olódùmarè desde os tempos imemoriais).

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

2011: Chega o ano de Oxum

2011 será regido pelo Orixá Oxum, orixá das águas doces, da fertilidade, da riqueza, da maternidade, do amor, da feminilidade, da astúcia, da vaidade.


Acompanham Oxum os Orixás Bará Ajelu, Xangô, Ossanha, Xapanã, Oxalá e Orunmilá.


E com este conjunto de Orixás o que esperar deste ano que se inicia?


Oxum não entra o ano com "mel frio", vem com intensidade e peneirando muitas coisas. Ao longo de 2011 tudo será colocado em sua devida ordem. Literalmente "será separado o joio do trigo."


Será um ano de "toma lá, dá cá", em que a colheita de cada atitude será rápida e inevitável! 


A todos que semearem coisas boas, será garantida a prosperidade, especialmente financeira; a fertilidade na vida! Porém será necessário o esforço, pois Oxum é um orixá que exige dedicação, veneração e cuidado. Ao povo de santo será imprescindível estar com obrigações em dia e em paz com seu Orunmalé pessoal.


Quem semear a discórdia, a confusão, a omissão, a maledicência e mesmo a arrogância não terá a mesma felicidade. Não haverá tolerância com mentiras, falsidades, preguiça, desleixos, maldades. Isso porque a energia de Xapanã, orixá que não aceita mentiras e falsidades, e de Oxalá e Orunmilá, orixás da clareza e sabedoria, não deixarão nada por debaixo dos panos. Tudo terá a sua devida repercussão, o que nos é garantido pelo Orixá Xangô, orixá da justiça e que dará a cada um o que merecer. 


O ouro, a riqueza, a doçura, a beleza e a alegria de Oxum estarão disponíveis na proporção do merecimento, e Oxum juntamente com Ossanha farão a prosperidade e a fartura tornar-se uma realidade, especialmente no último semestre.


Ótimo ano para cuidar da saúde e da beleza em todos os sentidos. Entregue-se à vaidade sem exageros e reserve algum tempo para atitudes de amor a você mesmo. Cuide bem do seu corpo, da sua mente e do seu espírito. Isso garantirá auto-estima em alta e realização interior.


Deveremos tomar muito cuidado com os excessos! Os ânimos estarão alterados e haverá muita euforia. Há uma forte energia de exus (catiços), que trazem magia e sedução, mas também ilusão. A entrega a prazeres momentâneos de forma desmedida trará consequências negativas. Cuidado com bebidas, drogas, sexo, comilanças, traições, gastos demasiados... O ideal é aproveitar toda a magia de 2011 com prudência, sem compulsões, para que a alegria seja real e não se torne um pesadelo após atitudes impensadas.


Plante coisas boas para aproveitar ao máximo as maravilhosas energias de Oxum! 


Que sejas merecedor e digno de todo o BOM AXÉ DE OXUM, para que a Mãe da fertilidade, riqueza, doçura e amor possa jorrar suas bênçãos sobre a sua vida!


segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

"As maiores oportunidades da vida são desperdiçadas por falta de coragem e ousadia. 
O maior prazer da vida é sentir-se vivo! Então viva, apaixone-se, arrisque-se, chore, grite, dance,
dê ótimas gargalhadas...
Mas busque a sabedoria, a bondade, o amor, a paz interior, a verdade consigo mesmo, o respeito,
a dignidade, o caréter; são esses valores que fazem tudo valer a pena e torna a vida mais feliz!
A máscara fere mais a quem usa!
Então seja você mesmo, em qualquer situação, não há nada melhor do que ser digno de si mesmo."
                                                               Fernanda Paixão