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Ìyálórìsà responsável pelo Ilê Ìyába Àse Òsun Doko, de Nação Ijexá, localizado na cidade de Gravataí-RS; filha de Pai Pedro de Oxum Docô. Contatos fone:(51) 9114-2964 ou e-mail fernanda__paixao@hotmail.com

quarta-feira, 30 de março de 2011

2º ENCONTRO DE REFLEXÃO TEOLÓGICA E FILOSÓFICA AFRO-UMBANDISTA




2º ENCONTRO DE REFLEXÃO TEOLÓGICA E FILOSÓFICA
AFRO-UMBANDISTA EM CANOAS (RS)


 No complexo teológico e filosófico africano e/ou afrodescendente, todo Ser Humano possui uma Divindade (Orixá, Inkice, Vodun, Ancestral, Antepassado, etc..,). Nesse pressuposto ontoteoexistencial, o respeito ao Outro e, sobretudo, em meio aos/as adeptos da Religião Afro-Umbandista, deve funcionar como um determinante da improbidade de toda e qualquer subtração Existencial. Na verdade o detentor/a de Orixalidade (Orixá, Inkice, Vodun, Ancestral, Antepassado, etc..,) deve comportar-se - porque assim o/a é – como uma sacralidade existencial sob a qual reside toda responsabilidade para com o equilíbrio do Cosmo indissociável da dinâmica das relações sociais.

      Jayro Pereira (Omo Orisa)
Teólogo Afro-Umbandista
Bacharel em Teologia
Licenciado em Ciências Religiosas

ENDEREÇO:
Auditório da Biblioteca João Palmas da Silva
Rua Ipiranga, 105 – Centro – CANOAS - RS
(Prédio do antigo Fórum de Canoas/Em frente ao Clube Caça e Pesca ) 

CONSIDERAÇÕES INICIAIS  
 A Religião de Matriz Africana / Afro-Umbandista apesar da sua longa presença na sociedade brasileira e da enorme quantidade de adeptos em todo o país, ainda enfrenta problemas de grandes magnitudes os quais se arrastam por séculos e historicamente. A dinâmica das relações sociais hodierna em que reconhecimento e valorização da diversidade religiosa com prevalência das crenças socialmente marginalizadas constituem-se como tônica, tal processo não tem produzido mudanças concretas ou alterado significativamente o quadro da Religião de Matriz Africana e Afro-Umbandista e dos seus fiéis que prosseguem sendo alvos tanto do racismo cultural religioso como da intolerância religiosa que cada vez mais se complexifica; o atual estágio da intolerância religiosa tem recorrido aos recursos da semiologia (ciências dos símbolos) e da semântica substanciando desta forma no seio da população sentimento de afrotheofobiaque grassa no Brasil.
Internamente aos religiosos afro-umbandistas permeiam elementos do passado colonialista e do capitalismo vigente em que para além de alterar e significativamente a dinâmica civilizatória bem como os conteúdos teológicos e filosóficos da cosmovisão africana, os fiéis afros e os templos dos Cultos aos Ancestrais, Antepassados, Orixás, Inkices, Voduns, etc., têm funcionando mediante uma prática concorrencial que incide sobre a unidade dos adeptos a despeito dos impropérios da sociedade abrangente.
Ou seja, as ações nacionais contra a intolerância religiosa, entre tantas outras ações, que tem a bem da verdade juntado muitos adeptos, não tem possibilitado unidade política eficaz e duradoura. Contraditoriamente tem-se sido apenas numérico e não um quantitativo qualitativo devido à dissociação de todo um arsenal de conceitualidade e princípios estruturadores.
Os fatores que concorrem para esse “estar juntos, porém, dispersos” são de origem não tão remota em face da barbárie do processo de desterritorialização simbólica e material de populações étnico-raciais africanos/as e na dispersão das Américas pelo menos de três períodos históricos, quais sejam: Colônia, Império e da primeira República com o “Estado Novo” que como num continuum informam as relações étnico-raciais e teológicas do presente. Mediante a essa parcial análise os desafios que estão colocados para os/as crentes afro-umbandistas são muitos, mas que nos ateremos a alguns apenas como abaixo relacionados:

Ø  Discernimento e enfrentamento radical dos fatores e elementos advindos do colonialismo, ainda presentes nesses tempos de vigência do que se compreende como neocolonialismo e dos seus correlatos como o fenômeno da globalização, da inculturação revigorada contemporaneamente, etc.;

Ø  Compreensão dos mecanismos de controle e de divisão produzida pelo Estado Novo em que organizações federativas foram criadas se passando como órgãos oficiais, usurpando em função dessa falácia atribuições do Estado para desta forma continuar, mesmo que inoperantemente, explorando Casas de Religião. Tais organismos também agem de forma a impedir a formação de massa críticas dos adeptos/as em que intrigas, difamações, mentiras, calúnias, etc., funcionam como ingredientes de tais organizações quase sempre de natureza antidemocrática;    

Ø   Tomada de consciência acerca das pilhagens epistemológicas e mediante a isso entender que “teologia não é uma teleologia judaica cristã e/ou católica” devendo com isso compreender os mecanismos do “fascismo epistemológico” vigente sob o qual se sustenta a colonialidade das ciências humanas e sociais;

Ø  Entendimento de que a luta contra o racismo cultural religioso que embasa e dinamiza a intolerância religiosa só será debelada mediante a tríplice dimensão qual sejam: o embate política em que a unidade dos/as adeptos/as se inscreve como condição imperativa, jurídica no sentido da criminalização da intolerância religiosa e epistemológica em que o estudo da teologia e da filosofia deve converter-se no aprendizado sistemático em que categorias de análises e quadro de referências êmico da Tradição de Matriz Africana e Afro-Umbandista sejam teoricamente apreendidas possibilitando assim a elaboração de uma afroteohermenêutica que instrumentalize argumentatividade imbatível e fôlego inesgotável.
     
Os Encontros de Reflexão Teológica e Filosófica Afro-Umbandista, portanto, se justificam  face aos  desafios explicitados, visando com essa dinâmica dos encontros itinerantes substanciar a fé dos afro-religiosos, fortalecimento do espírito de corpo face à luta cotidiana contra os estigmas, estereótipos, preconceitos, discriminações, etc., bem como promover confraternização e despertar a premente urgência do estudo teológico e filosófico da Religião de Matriz Africana e Afro-Umbandista  para desta forma incidir na mudança substancial da ótica da sociedade e da instituições  em geral de modo a tirar a Religião dos Orixás, dos Inkices, dos Voduns, dos Ancestrais e Antepassados do lugar marginalizado que ainda se encontra no Brasil, na África e nas Américas como um todo.                        
OBJETIVO GERAL

Ø  Reunir religiosos afro-umbandistas através de encontros itinerantes na região metropolitana da cidade de Porto Alegre (RS), de forma a possibilitar reflexões teológicas e filosóficas concernentes à Religião de Matriz Africana e Afro-Umbandista, bem como substanciar a fé dos adeptos/as, promover confraternização, congraçamento de forma a fortalecer cada vez mais o espírito de corpo dos fiéis dos Orixás, dos Inkices, dos Voduns, dos Ancestrais e Antepassados para que conjuntamente fortalecidos possa exercer enfrentamento cotidiano dos estigmas, estereótipos, preconceitos, discriminações, enfim da intolerância religiosa que dissemina e introjeta na população sentimento afrotheofobia que vem sendo materializada em ações contra os/as afro-umbandistas e afrodescendente em geral e a despeito da sua relação religiosa afro.        

 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Ø  Reunir intelectuais vivenciadores (as) da Religião Afro-Umbandista de Porto Alegre e Região Metropolitana para avaliar a conjuntura hodierna dos Cultos Afro-Gaúchos, bem como discutir a necessidade de posicionamento teórico de forma interdisciplinar das várias áreas do conhecimento dos adeptos (as) visando intervenção mais qualificada na sociedade abrangente.

Ø Discorrer sobre o engajamento político e social dos (as) intelectuais vivenciadores (as) para desta forma contribuir para a alteração do racismo cultural religioso afro, bem como da intolerância religiosa que se abate contra as comunidades terreiras e seus adeptos.

Ø Dialogar acerca do papel das Comunidades terreiras e a relação das mesmas com a comunidade circundante e/ou do entorno, de forma a pensar estratégias políticas e pedagógicas que envolvam as populações locais nos seus segmentos etários mediante a realização de ações sociais pertinentes.

Ø  Sensibilizar intelectuais da religião afro-umbandista para ação docente em cursos voltados para aperfeiçoamento de adeptos dentro de uma perspectiva teológica e filosófica de visão de mundo. 

METODOLOGIA
Os encontros de reflexões teológicas e filosóficas afro-umbandistas que se realização itinerantemente nas cidades da região metropolitana de Porto Alegre (RS) de forma participativa dos/as adeptos/as da Religião de Matriz Africana e Afro-Umbandista se desenvolverão mediante a coordenação das organizações proponentes da atividade que contará com apoios administrativos e operacionais; exposições iniciais de tema ou assunto de natureza teológica e/ou filosófica afrodescendente de visão de mundo que acompanhará cada encontro, avaliações de conjunturas afro-teológica, apresentação dos participantes, relatorias, plenárias e deliberações, ritos de abertura e encerramento dos trabalhos, encaminhamentos, deliberações de moções, apresentação  de vídeos, debates, etc.
AVALIAÇÃO
Todos/as os/as participantes dos Encontros de Reflexão Teológica e Filosófica Afro-Umbandista deverão produzir avaliações nas quais deverão constar as opiniões individuais acerca das atividades em que participarem, assim como propostas e sugestões que possibilitem aprimoramentos dos eventos em prol da dignificação da Religião de Matriz Africana e Afro-Umbandista.      

EQUIPAMENTOS E RECURSOS DIDÁTICOS      
 Microfone
Aparelho de Som
Aparelho de Vídeo
Retroprojetor
Flip Chart
Quadro de giz
Etc


CRONOGRAMA DE ENCONTROS

1º Encontro de Reflexão Teológica e Filosófica Afro-Umbandista em Porto Alegre,
Data: 19/03/2011 – Horário: 8h00 às 14h30 
 Local: Sede do Africanamente
Av. Protásio Alves, 68 – Rio Branco

I Encontre de Reflexão Teológica e Filosófica Afro-Umbandista, em Porto Alegre

2º Encontro de Reflexão Teológica e Filosófica Afro-Umbandista em Canoas
Data: 02/04/2001 – Horário: 8h00 às 14h30
Local: Auditório da Biblioteca João Palmas da Silva
Rua Ipiranga, 105 – Centro
(Prédio do antigo Fórum de Canoas/Em frente ao Clube Caça e Pesca ) 

3º Encontro de Reflexão Teológica e Filosófica Afro-Umbandista em Gravataí
Data: 16/04/2011 – Horário: 8h00 às 14h30
Local: Sede da CONCAUGRA
4º Encontro de Reflexão Teológica e Filosófica Afro-Umbandista em Alvorada
Data: 21/04/2011
Local: a acertar

5º Encontro de Reflexão Teológica e Filosófica Afro-Umbandista em São Leopoldo
Data: 23/04/2011
Local: a acertar

6º Encontro de Reflexão Teológica e Filosófica Afro-Umbandista em Viamão
Data: 30/04/2011
Local: a acertar

8º Encontro de Reflexão Teológica e Filosófica Afro-Umbandista em Guaíba
Data: 07/05/2011
Local: a certar

7º Encontro de Reflexão Teológica e Filosófica Afro-Umbandista em Pelotas
Data: 08/05/2011
Local: a acertar

8º Encontro de Reflexão Teológica e Filosófica  Afro-Umbandista em Rio Grande
Data: 15/05/2011
Local: a acertar  



ESCOLA DE TEOLOGIA E
 FILOSOFIA AFRO-UMBANDISTA

EGBÉ ÒRUN ÁIYÉ / ATRAI
Av. Protásio Alves, 68 – Rio Branco
Porto Alegre - RS
Fone (51) 3333-9224 e/ou 9545-0231

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Ogun, a Divindade que Abriu os Caminhos para o Mundo

(Extraído do livro "Encyclopedia of African Religion" de Molefi Kete Asante e Ama Mazama, adaptado e traduzido por Fernanda Ìyánláfémi t'Òsun Doko)


Ògún é uma das principais divindades do Oeste Africano, cuja história abrange vários milênios e cuja adoração estende-se por vários trechos do continente. Alguns estudiosos sugerem que Ògún pode ser adorado por mais de 70 milhões de pessoas no mundo inteiro, e o número de adoradores de Ògún aumenta constantemente.

Ogun é sobretudo a divindade do ferro e, por extensão, a divindade da guerra e da caça. Embora a primeira fundição de ferro tenha surgido na região central da Nigéria, tornando Ogun uma divindade yorubá preeminente(Orixá), o culto a Ogun foi atestado em toda a Costa do Guiné, onde havia se espalhado desde a antiguidade, com altares para Ogun sendo encontrados em praticamente todas as forjas.

No Reino de Daomé (hoje República de Benin), por exemplo, Ogun apareceu como Gu, a divindade do ferro e da guerra, e ficou em terceiro lugar no panteão entre os Voduns, logo após Mawu e Lisa.

Um emblema semelhante de Ogun foi e ainda é a espada. Outros emblemas semelhantes têm incluídos pequenos implementos de ferro, como enxadas, facas, punhais, pás e lanças, além de colares, pulseiras, roupas e coroas.

Essa reverência generalizada a Ogun, divindade do ferro, pode ser compreendida dentro do contexto que crê que o ferro e o trabalho de ferreiro são coisas sagradas. O derretimento do ferro em um forno, um símbolo difuso de útero feminino, tem sido frequentemente associado, em muitas sociedades Africanas, a fertilidade, vitalidade e poder criativo. A reconstituição da criação do mundo e da própria vida através da fusão e forja do ferro em grande parte explica o prestígio duradouro dos ferreiros e, acima de tudo, de Ogun, a divindade do ferro. Além disso, devido ao poder civilizador do ferro, Ogun também é considerado a divindade da civilização e da tecnologia.
Todos aqueles cuja atividade profissional está associada com metal, desde agricultores até cirurgiões, barbeiros, cabeleireiros, mecânicos, açougueiros, motoristas, soldados, caçadores, etc... prestam homenagem a Ogun como seu protetor.

Muitas são as festividades realizadas em honra de Ogun. Em Yorubaland é a Ogun que são dirigidos os apelos para manter a paz na sociedade. Na África, os personagens de Ogun incluem Ogun Akirim, Ogun Alagbede, Ogum Alara, Ogum Elemona, Ikole Ogun, Ogun Meji, Oloola Ogun, Onigbajamo Ogun e de Ogun Onire. Algumas de suas comidas e bebidas favoritas são cães, pombos, caramujos, galos, ovos, noz de cola, inhames, vinho de palma, azeite-de-dendê e tecidos em preto e branco.

Ogun atravessou o Oceano Atlântico, juntamente com milhões de Africanos, que foram removidos à força de sua terra natal durante o período escravização Européia, no qual homens, mulheres e crianças eram escravizados nas Américas. Compreensivelmente, o foco em Ogun como divindade do ferro ficou menos acentuada, ao passo que foi dada uma ênfase maior a Ogun como divindade da guerra. Em um ambiente no qual os africanos foram submetidos a crueldade e torturas de todos os tipos, em base constante, a divindade Ogun tornou-se absolutamente necessário e significativo. Em fato, Ogun está intimamente associado à Guerra Revolucionária no Haiti, que ocorreu no século XIX. Diz-se que Dessalines e Toussaint L'Ouverture, dois grandes heróis dessa guerra, fizeram ebó para Ogun, e foram, por sua vez, protegidos e guiados por ele.
No entanto, qualquer que seja a localização geográfica, características comuns são claramente visíveis. Ogun é inequivocamente associado a força e poder. Ele é o fogo, e como tal, pode ser bastante agressivo, direto, violento, forte. Devido à sua energia quente e seu pavio curto, Ogun tanto cria como destrói. Mas Ogun também é incontestavelmente um líder que rompe novos terrenos e abre novos caminhos quando outros já desistiram. Este atributo particular de Ogun como líder, se origina na ancestral história yorubá, na qual Ogun foi o que veio à frente de outros 401 Orixás na criação da Terra. Com suas ferramentas de ferro, veio desmatando as florestas, criando assim uma passagem sagrada para a Terra. Outros se seguiram a ele, enquanto Ogun abria o caminho para o mundo!

Ogun é Ogu no Haiti. No Vodu haitiano, ele gosta muito de fumar charutos e beber rum. Um facão firmemente plantado em frente ao altar continua a ser o emblema mais característico de Ogun. Seus personagens no Vodu incluem, entre outros, Ogu Feray (ou Fe OGU), Badagri OGU, Balindyo OGU, Ogu Batala, e Xangô OGU.

No Brasil, Ogun é Ogum. Seus adoradores utilizam peças e objetos de ferro em miniatura, assim como na África, como facas, espadas, pás, e picaretas, sobre os altares dedicados a ele.

Em resumo, Ogun continua a desempenhar um papel importante na vida religiosa Africana e seu incrível poder é ao mesmo tempo venerado e temido.