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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Èsù corta o nariz do artesão que não lhe fez o ebó prometido

(Extraído do livro "Mitologia dos Orixás" de Reginaldo Prandi, com adaptações)


"Era uma vez um certo marceneiro muito competente no ofício,
mas não tinha jeito de arranjar trabalho.


O artesão teve um sonho com um negrinho
que disse que ele ia ter muito serviço
e ia ganhar um bom dinheiro.


O negrinho do sonho, com seu barrete vermelho,
disse ao marceneiro que após completar o primeiro serviço
ele tinha que fazer um ebó para Èsù.


Devia providenciar um galo preto,
sete tocos de lenha, fósforos e uma vela,
um pouco de azeite-de-dendê, sete ecôs¹,
fumo picado e muitos búzios.


Que fosse para o mato fechado,
acendesse a vela, passasse o galo no corpo,
fizesse a fogueira com a lenha e o fósforo.
Que matasse o galo e o cozinhasse
com os temperos estipulados e oferecesse os búzios.
Era assim o ebó que Èsù queria.
Se ele não fizesse o ebó, ameaçou,
Èsù tomaria o seu nariz.


No mesmo dia apareceu um grande serviço,
que o marceneiro fez com capricho e rapidez,
e ganhou um bom dinheiro.
E depois outro e mais outro
e assim ele foi ficando bem de vida.
Mas para Èsù, nada!
Ele nunca se interessou em cumprir a obrigação.


Um dia, trabalhava sob o sol, alisando tábuas,
quando o negrinho do sonho apareceu e disse:
"Olha, não vais cortar o nariz com esse enxó² ?"
Ele respondeu:
"Como é que eu posso cortar o nariz com este enxó?",
e fez um gesto aproximando o objeto do rosto.
Sem querer, decepou o nariz com a lâmina do enxó.


O moleque disse:
"Te lembras da promessa do ebó?
Èsù deu-te trabalho e dinheiro.
Não deste nada para Èsù,
então vim buscar o teu nariz."


Pegou o nariz que caíra no chão, 
deu as costas para o marceneiro que sangrava horrivelmente
e foi-se embora, levando o nariz do artesão."



1- Ecô (Eko): bolinho de amido de milho branco ou amarelo embrulhado em folha de bananeira.
2- Enxó: Instrumento para desbastar tábuas ou pequenas peças de madeira.



"A kìì lówó láì mú ti Èsù kúrò
(Aquele que tem dinheiro dá uma parte para Èsù)
A kìì láyò láì mú ti Èsù kúrò
(Aquele que tem felicidade dá uma parte para Èsù)
Èsù gbe eni se ebo l'ore o
sù apóia a pessoa que faz o ebó bem feito)"
(Parte do Oriki de Èsù publicado em "Èsù na Consulta Divinatória"
http://maefernandadeoxum.blogspot.com/2011/01/esu-na-consulta-divinatoria.html )







terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Diferentes origens de Èsù

(De CECAA – Centro de Estudos da Cultura Afro Americana, com adaptações)


Diferentes origens de Exu são narradas em diversos itans de Ifá. Uma delas, que determina a ligação existente entre Exu e Orunmilá, contida no Odu Ogbehunle, conta que:


“Quando Olodumare e Obatalá estavam começando a criar o ser humano, criaram, antes, a Exu. Tendo visto Exu na casa de Obatalá, Orunmilá demonstrou o desejo de possuir um, mas foi-lhe recomendado que voltasse um mês mais tarde porque tudo o que vira estava ainda em fase experimental. Inconformado, Orunmilá insistiu tanto que Obatalá resolveu atender à sua vontade, orientando-o para que pusesse as mãos sobre a cabeça de Exu e que, voltando para casa, fizesse sexo com sua mulher. 


Tudo foi feito de acordo com a orientação de Obatalá e, doze meses depois, Yebìirú, mulher de Orunmilá, deu à luz um filho do sexo masculino e porque Obatalá dissera que a criança seria Alágbára (Senhor do Poder), Orunmilá resolveu chamá-lo de Elégbára. Logo que seu pai pronunciou seu nome, a criança começou a chorar e a dizer: 
IYÁ, IYÁ, NG O JE EKU - (Mãe, mãe, eu quero comer preás).
Ouvindo os apelos de seu filho, a mãe respondeu de imediato:
OMO NAA JEÉ! - Filho, come, come! 
OMO L'OKÙN, - Um filho é como contas de coral vermelho,
OMO NI DE, - Um  filho é como cobre,
OMO NI JÌNGÌNDÌNRÌNGÌN. - Um filho é como uma alegria inextinguível,
A MU SE YÌ, MÙ S'ÒRUN - Uma honra apresentável, que nos.
ARA ENI. - nos representará depois da morte. 


O relato se estende mostrando como Exu, servido por sua mãe, devorou todos os quadrúpedes, aves e peixes e, não tendo mais nenhum animal sobre a face da terra, engoliu a própria mãe. Assustado com o ocorrido, Orunmilá consultou o oráculo e lhe foi recomendado fazer um ebó composto de uma espada, um bode e quatorze mil caurís. Feita a oferenda, Orunmilá aproximou-se de Exu, que não parava de chorar e de gritar. "Bàbá, bàbá, ng ò je ó ó! " (Pai, pai, eu quero comê-lo!) - berrou o menino. Orunmilá, então, cantou a canção da mãe de Exu e quando este se aproximou para devorá-lo, atacou-o com a espada do ebó. 


Exu foi então cortado em duzentos pedaços e cada pedaço transformava-se num novo yanguí, num novo Exu. A perseguição se estendeu pelos nove oruns e, em cada um deles, Exu era seccionado em duzentas partes e cada uma delas se transformava num novo yanguí. No último orun, depois de ser novamente retalhado, Exu propôs um pacto a Orunmilá: Cada Yanguí seria uma representação sua e Orunmilá poderia consultá-los e mandá-los executar trabalhos sempre que fosse necessário. Orunmilá, então, perguntou-lhe por tudo o que havia devorado, inclusive sua mãe, e Exu respondeu:
"Òrúnmìlá kí o maa kési oun bí ó bá féé gba gbogbo àwon nkan bi eran ati eye tí òun ó máà ràn án lówó láti gbà padà fún láti owo àwon Omo aràyé”.
(Orunmilá deveria chamá-lo se ele queria recuperar a todos e cada um dos animais e das aves que ele tinha comido sobre a terra; ele (Exu) os assistiria para reavê-los das mãos dos seres humanos).”


O que a lenda ensina é que Exu é um só subdividido em incontáveis partes e desta forma, todos os seres humanos, animais e vegetais, assim como os próprios orixás possuem os seus Exus individuais. 


Exu é o comunicador, o intermediário, o policial, o juiz e o carrasco e, da mesma forma que castiga os malfeitores, premia aqueles que agem corretamente. Exu é, portanto, a divindade de maior atuação no contexto religioso africano. 


Exu resulta da interação Obatalá-Oduduwa e como o primeiro elemento procriado seria a personalização da energia que reúne os átomos, possibilitando a diferenciação da matéria a partir de uma essência única. Ele é o grande transformador, o comunicador, o intermediário entre os homens e as divindades e entre estas e o supremo criador. 


O termo "Esu" pode ser traduzido como esfera. Elegbara é um dos títulos honoríficos de exú que significa: "aquele que possui poder ilimitado", e bara, elegba e legba são sinônimos ou corruptelas desta palavra. Ambos os termos se referem ao orixá exu, do qual se desconhece a existência de uma manifestação ou de um aspecto feminino. Exu é sempre masculino e seus símbolos são fálicos. As estatuetas que o representam possuem sempre um grande pênis em permanente estado de ereção. 



Èsú, Elégbára, Elégba ou ainda Légba, seriam os nomes pelos quais é conhecido este poderoso Orixá, o primeiro criado por Obatalá e Oduduwa, tendo Ogun como irmão mais novo. O culto de Exu é muito individual. Cada indivíduo, assim como cada coisa possui o seu Legba, podendo, portanto, edificar o seu assentamento, onde poderá cultuá-lo e apaziguá-lo. Por sua importância e atributos, Exu é sempre o primeiro a ser homenageado e cultuado em todos os procedimentos ritualísticos. Seu caráter é ambíguo e faz o mal ou o bem de acordo com sua própria conveniência. 


A atitude do africano diante desta divindade é de profundo respeito devido ao seu poder de atuação sobre a vida e a morte, o sucesso e o fracasso, a riqueza e a miséria, de acordo com as determinações de Olodumare, de quem é o executor de ordens. Por este motivo, todos os seguidores da religião procuram estar bem com ele, evitando desagradá-lo para não se exporem à sua ira. 



segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Èsù - O Fecundador do Cosmos

(Extraído de Cultura Iorubá, Palestra de Juarez Tadeu de Paula Xavier, com adaptações)


Èsù é um personagem que teve toda a sua vida vilipendiada pela cultura ocidental. Pense nesta idéia: o europeu quando chega à África, primeiro para escravizar e depois para colonizar, não quer compreender aquela cultura, ele quer explicá-la de acordo com o seu referencial, porque precisa dominá-la. 


Representação de Èsù em África.
Imagem do Livro Orixás de Pierre Verger.
Eles chegam na África e conhecem uma figura que nunca tinham visto, que tinha uma forma de representação(Ogó) que eles ligaram ao diabo, e disseram: "isto não pode ser Deus, se isto se opõe ao sagrado, isto é o demônio, é o diabo". E a partir daí, o preconceito, a discriminação, o racismo e a ignorância fizeram o resto. 



Essa é a figura de Èsù, que foi sistematizada no Ocidente como se fosse o demônio. Mas a cultura africana não admite essa polaridade de bem e mau. Não existe isso para os africanos e para o Iorubá em especial. Essa noção de que se sou mau vou para o inferno e se sou bom vou para o céu, não existe para os Iorubás. Eles têm o Òrun Àiyé, onde Òrun é o lugar no qual se dá o sagrado a Àiyé é onde acontecem as coisas da terra, um é o céu e o outro é a terra, mas em um contexto muito mais complexo. 


Èsù apresenta aquilo que é mais importante para a cultura, que é fundamental na transformação Cósmica, tem uma representação que é o falo humano, que é a representação do Ogó. O "cara" chega lá e vê isso, um cara que é "casto", que pensa a relação da carne como um pecado. Os europeus chegaram lá, viram o Èsù e classificaram-no como o Diabo, o Demônio.


Para o africano não, para o africano o corpo é uma festa mesmo, e tem que ser tocado. A fertilidade é fundamental. O africano tem que ter filhos. Se ele não tem filhos ele morre para a posteridade. Ter filho é uma dádiva para os africanos!


Quando nasceu minha filhinha, eu ficava vendo aquelas músicas que o pessoal cantava assim: "Boi, boi, boi, boi da cara preta." Se eu for cantar isso ela vai ver que o boi da cara preta sou eu, é uma cantiga inadequada para você cantar para uma criança negra. Ai eu fui falar com uma velha africana, e ela me ensinou uma cantiga, que diz assim: "Vamos ao mercado comprar dendê e feijão porque a nossa criança vai chegar e ela é a riqueza da nossa casa". Olha que coisa diferente, por isso para o Iorubá ter filho é importante, por isso Èsù é essa representação, ele tem a representação do falo porque ele vai fecundando o Cosmos, sem ele o axé não se renova, e se não se renovar ele fenece e morre. Se Èsù não fecunda o Cosmos, esse Universo morre, acaba, não tem sentido. 


Èsù joga as sementes sobre o Cosmos, por isso a representação dele tem que ser um falo, e para o Iorubá isso é muito natural. Èsù é o único que pode se apresentar diante de Olodumare, porque ele é o único que está mais próximo dos homens, e é aquele que vigia o comportamento das divindades e dos homens. 




Degradar Èsù, vilipendiá-lo, justificou as violências cometidas contra o povo negro no período da escravidão. Èsù transita sobre todas as cores, e as cores são importantes para os Iorubás, porque elas representam axés especiais, como também elementos da natureza, a água, a terra, o fogo, o ar, que permitem a manifestação do sagrado. Então Èsù tem essa representação na qual aparecem o ogó, que é a representação do falo, tem as sementeadeiras que são seus saquinhos onde tem os "pós mágicos", e tem também a representação daquele que junta tudo. Ele é a representação do vivo, da vida e da morte, de tudo que existe no Cosmos, de todas as forças cósmicas, ele é a representação de absolutamente tudo. 


mito mais bonito de Èsù é um mito chamado Axé-Turá, aquele que nasceu sob a força do Axé, e depois transformou-se em Oxê-Turá, filho do Axé. É lindo e eu vou sintetizar:


"Segundo o mito, Olodumare chama seus dezesseis filhos mais antigos e mais poderosos, e para cada um deles dá uma missão: vocês vão para um lugar chamado Aiê, que é a Terra, para que as pessoas possam relembrar a nossa história. Você vai criar as florestas onde serão celebradas as memórias de nossos ancestrais. Você vai criar as florestas onde vai ser lembrada a memória de Oro. E assim foi distribuindo tarefas. Essas dezesseis criaturas vem e começam a criar o cenário favorável para o desabrochar da vida na Terra, no Aiê. E tudo que eles falassem poderia acontecer. "A palavra gesta o cenário!"Chegaram com essa missão. 


Quinze desses filhos eram homens, e apenas uma era uma mulher. Eles saíram pelo mundo afora fazendo as coisas e deixaram a mulher de lado. A mulher começa a sentir uma coisa complicada e começa a pensar: "eu tenho função", e ela usa um poder que só as mulheres têm para a cultura Iorubá, ela começa a usar o seu poder mágico das chamadas Iami, que são as representações femininas muito importantes. 


Tudo que eles vão fazer começa a dar errado, ele chega em um lugar e diz você vai ficar muito rico, e a pessoa fica pobre, você vai ter muitos filhos, e a pessoa fica estéril, você vai viver cem anos, e a pessoa morre no dia seguinte. E aquilo para eles é uma coisa maluca porque a palavra tem que gestar cenário. 


Eles reunem-se, vão até Olodumare e perguntam a ele o que está acontecendo, e ele pergunta de volta: "E o décimo sexto entre vocês?" E eles respondem: "É apenas uma mulher". Olodumare responde que sem essa mulher nada vai acontecer. 


Eles voltam à Terra e chegam diante dessa mulher e falam: "A partir de agora você vai andar conosco por todos os lugares onde nós formos, precisamos de você." E ela responde: "Agora não quero, esse projeto perdeu o valor para mim, não tem mais importância nenhuma." Depois de muito negociar ela falou: "Trago dentro de mim um feto, se for um homem, vou permitir que ele ande com vocês, se for uma mulher eu vou destruir essa realização, nós vamos fazer uma coisa em outro lugar. Mas há uma condição: todo o axé de vocês tem que ser passado para essa criança." Então todos os dias eles chegavam lá diante daquela barriga e passavam o seu axé. 


Passados os nove meses nasce a criança, Èsù!"





Dança das cabaças- Exu no Brasil

Documentário poético que investiga a divindade africana Exu no imaginário popular brasileiro dirigido por Kiko Dinucci.

Muito bom, vale a pena assistir!













Melhores informações e filme sem cortes no endereço:

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

III Marcha Estadual pela Vida e Liberdade Religiosa



Mais uma vez estaremos nas ruas de Porto Alegre lutando pelo respeito e pela dignidade do nosso povo, o povo do santo, 
o Povo do Axé!

Sozinhos somos apenas mais uma voz na multidão, 
mas unidos seremos fortes!

Participe e convide irmãos de Axé!


Algumas imagens da I Marcha Estadual pela Vida e Liberdade Religiosa, em 21 de janeiro de 2009:
http://www.orkut.com.br/Main#Album?uid=1666716186263237307&aid=1231675341

Algumas imagens da II Marcha Estadual pela Vida e Liberdade Religiosa, em 25 de janeiro de 2010, abrindo o Fórum Social Mundial:
http://www.orkut.com.br/Main#Album?uid=1666716186263237307&aid=1264606287

Èsù na consulta divinatória

(Extraído do livro "Jogo de Búzios: Um Encontro com o Desconhecido" de José Beniste, com adaptações)



 Apesar de profunda sabedoria, conhecimento e autoridade de Òrúnmìlà, às vezes ele fica na dependência do poder de Èsù, por este ser o GUARDIÃO DO À, representação da autoridade e do poder divino com o qual Olódùmarè criou o universo e manteve suas leis físicas. Èsù é, certamente, a divindade mais chegada a Òrúnmìlà, mas o seu relacionamento nem sempre é cordial, isso porque Èsù como fiscalizador        universal, é imprevisível e não pode, por consequência, ser aliado permanente de alguém.



 Èsù é o poder responsável que leva todos os sacrifícios e oferendas para as divindades, embora alguns mitos revelem que é a sua mulher - AGBÈRÙ - quem os recebe para entregar depois a ele. Èsù só não transporta oferendas para Deus - Olódùmaré - pois os yorubás acreditam que Ele não pode ser influenciado por oferendas, daí o dito "Tani le f'Olódùmarè lébo?" (Quem ousa oferecer sacrifícios a Olódùmarè?).


      O que é prometido deve ser cumprido. Èsù premia ou pune aquele que realiza o sacrifício e o que deixa de fazê-lo. Sobre isso diz-se: "Eni ó rúbo l'Èsù gbè" (Èsù apóia somente aqueles que oferecem o sacrifício).


      Alguns títulos e designativos revelam a sua função no transcorrer dos ritos:

  • ÈSÙ ELÉBO: o dono e regulador das oferendas (ebo)
  • ÒJÍSE EBO: mensageiro das oferendas
  • ELÉRÙ: senhor dos carregos (erù)
  • ÒSÉTÙWÁ: odù dos carregos
  • ÈSÙ OLÓBE: o dono da faca que esconde sob seus cabelos
  • ÈSÙ OLÓNA: o senhor de todos os caminhos
  • ENÚGBARIJO: boca coletiva (princípio da comunicação)
 Òrúnmìlà utiliza-se do ÀSE de Èsù, do seu poder e de suas funções acima relacionadas, para atuar e se expressar.

Em um dos Oriki de Èsù, destacamos alguns trechos para verificar como se processa a sua atuação:

1- Èsù òta òrìsà
sù inimigo dos òrìsà)
2- Òtùwá ni oruko Bàbá mò ó
tùwá é o nome que o Pai o chama)
3- O lé sonsó sí esè elésè
(Ele que senta no pé das pessoas)
4- A kìì lówó láì mú ti Èsù kúrò
(Aquele que tem dinheiro dá uma parte para Èsù)
5- A kìì láyò láì mú ti Èsù kúò
(Aquele que tem felicidade dá uma parte para Èsù)
6- Èsù àpáta sómo olómo lénu
(Èsù faz a pessoa falar o que não deseja)
7- O fi okúta dípò iyò
(Ele usa uma pedra em vez de sal)
8- Olópa Olódùmarè lailai
(O fiscal de Olódùmarè desde os tempos imemoriais)
9- Epo l'érò Èsù
(Epo - azeite-de-dendê- acalma Èsù)
'0- Oníbòdè Olórun
(O porteiro de Olórun)
11- Tani o gbà ebo?
(Quem recebe o nosso ebo?)
12- Èsù ni yio gbà ebo wa
(É Èsù que receberá nosso ebo)
13- Èsù gbe eni se ebo l'ore o
(Èsù apóia a pessoa que faz o ebo bem feito)
14- Èsù bò wá ba wa ré ìkóríta
(Èsù venha, acompanhe-nos até a encruzilhada)
15- Oba ló ni òpó
(O rei faz uso do trono)
16- Èsù ló ni ìkóríta méta
(Èsù faz uso da encruzilhada)
17- Jé a mú àse bò ìkóríta o
(Permita que voltemos da encruzilhada com àse)




      

Exu para Jorge Amado

Não sou preto, branco ou vermelho
tenho as cores e formas que quiser.
Não sou diabo nem santo, sou Exu!
Mando e desmando,
traço e risco
faço e desfaço.
Estou e não vou
tiro e não dou.
Sou Exu.
Passo e cruzo
traço, misturo e arrasto o pé
sou reboliço e alegria
rodo, tiro e boto,
jogo e faço fé.
Sou nuvem, vento e poeira
quando quero, homem e mulher
sou das praias, e da maré.
Ocupo todos os cantos.
Sou menino, avô, maluco até
posso ser João, Maria ou José
sou o ponto do cruzamento.
Durmo acordado e ronco falando
corro, grito e pulo
faço filho assobiando
sou argamassa
de sonho carne e areia.
Sou a gente sem bandeira,
o espeto, meu bastão.
O assento? O vento!..
Sou do mundo,nem do campo
nem da cidade,
não tenho idade.
Recebo e respondo pelas pontas,
pelos chifres da nação
sou Exu.
Sou agito, vida, ação
sou os cornos da lua nova
a barriga da rua cheia!…
Quer mais? Não dou,
não tou mais aqui.